sexta-feira, 22 de junho de 2012

Como conseguir escravos voluntários.


Os bichos dispararam a galope para o pátio. Viram, então, o que ela vira. Um porco caminhava sobre as duas patas traseiras. [...] Momentos depois saiu pela porta da casa uma comprida coluna de porcos, todos caminhando sobre as patas de trás. [...] Houve um silêncio mortal. Surpresos, aterrorizados, uns junto dos outros, os bichos olhavam a fila de porcos marchar lentamente ao redor do pátio. Pareceu-lhes enxergar o mundo de cabeça para baixo. Então veio um momento em que, passado o primeiro choque e a despeito de tudo – a despeito do terror dos cachorros e do hábito, arraigado após tantos anos, de nunca se queixarem, nunca criticarem, pouco importa o que sucedesse-, poderiam lançar uma palavra de protesto. Mas exatamente nesse instante, como se obedecessem a um sinal combinado, as ovelhas, em uníssono, irromperam num balido espetacular: “Quatro pernas bom, duas perna melhor! Quatro pernas bom, duas perna melhor!” – A revolução dos bichos, de George Orwell, 1945.
O trecho acima é do livro que terminei de ler esta semana. Não atendeu às minhas expectativas, mas é um livro que com toda certeza deve ser lido por todos em algum momento da vida. Enfim, das várias leituras que pude fazer do livro, a ideia do uso da mídia como forma de controle autoritário e manipulação, foi uma das mais interessantes.
Resumindo, o livro trata sobre a rebelião que os animais de uma fazenda fazem contra o dono deles após se cansarem de ser tão distratados e perceberem que o ser dependente era o homem e não os bichos. Expulsados os donos da fazenda, os animais se organizam a fim de gerencia-la. A princípio, os porcos assumem o papel administrativo e estratégico, mas pouco a pouco tomam o poder e passam a controlar os demais animais da fazenda segundo seus próprios interesses. Porém agem de tal forma que todos os bichos da fazenda acreditam estar fazendo o melhor para si e a viver os melhores anos de suas vidas.
Uma das primeiras ações dos animais foi o criar regras, leis, que deviam ser seguidas por todos. Entre essas regras estava que todo animal que andasse sobre duas pernas era inimigo (referência à locomoção humana) e que era terminantemente proibido aos bichos andarem desta forma. As leis foram criadas pelos porcos, mas com “participação” dos demais animais.
Impedir, de modo passivo, a manifestação de ideias contrárias, desviar a atenção para acontecimentos sem importância, distorcer fatos e ser incisivo ao pôr ideias favoráveis a seus interesses; era uma das estratégias usadas pelos porcos para manipular os outros animais.
As ovelhas, animais pouco inteligentes na história, eram um recurso de manipulação. Elas repetiam em alto tom e continuamente frases que iam de encontro aos ideais suínos. Calando os outros bichos. Durante toda a história as ovelhas aparecem cumprindo seu papel com maestria, e os bichos cada dia mais perdem a voz.
Passam os anos e os animais não se dão conta do que acontecem e tornam-se escravos voluntariamente. Os ideais da revolução não se cumprem, os bichos pensam, mas não reclamam. E quando tentam, não têm vez.
Levanto essa questão porque nestas últimas semanas isso tem se cumprido na nossa sociedade e, assim como os animais da fazenda, ninguém se da conta. Manifestações contra o sistema educacional brasileiro acontecem em todo o país, mas a imprensa só dá valor a um crime familiar e a um reality show.
Uma verdadeira avalanche acontece na política nacional, escândalos políticos vêm à tona, e coincidentemente segredos do passado de uma celebridade ganham as manchetes.  Em pleno ano de eleições o destaque dos jornais são campeonatos de futebol e de luta.
Então, vemos como temos sido manipulados e aparentemente não nos damos conta disso. Passamos horas em frente à televisão, mas não percebemos o que de fato é relevante. Dispusemo-nos a discutir sobre tudo, exceto sobre aquilo que nos atinge diretamente. E diante da perplexidade dos fatos, nos deixamos calar, mesmo assim. Assim, temos sorrateiramente nossas ideias suprimidas e vozes caladas sem reagir a essa ação.
Por isso, indignado eu penso: Até quando o povo brasileiro será escravo voluntariamente? Até quando vamos submeter o interesse coletivo ao de poucos. Até quando vamos ser passivos no mundo em que vivemos, pensando em reclamar, mas permanecendo calados? Quando será que finalmente compreenderemos que o poder é da maioria se esta se colocar em posição de ataque?

terça-feira, 19 de junho de 2012

Nem só cordeiro e nem só lobo.


Será que as pessoas suportariam meu lado lobo? Sim, porque desde muito cedo fui educado a ser gentil com as pessoas, buscar a harmonia das relações, a evitar as desavenças. Porém, acabei levando isso a certo extremo. E hoje, percebo que me tornei condescendente demais e as pessoas acostumaram-se ao Felipe bonzinho, bem humorado, que não ultrapassa limites, zela pelos outros e chega a ser patético. Mas o fato é que por ser eu tão oposto a isso, e viver em uma luta constante tentando dominar esse lado “mau”, me faz pensar sobre como as pessoas reagiriam caso eu mostrasse esse lobo que cansou de se esforçar para pastar.
Uma das razões que me leva a esse questionamento é simples fato de que todas as vezes em que fui um pouquinho de mim mesmo as pessoas choraram, se assustaram ou se afastaram. Então, penso: Ah... Não é legal fazer as pessoas chorarem. Mas por que será então que ninguém se preocupa em não me fazer chorar? Por que somente eu tenho que entender o comportamento egoísta dos outros e deixar minha vontade de lado? Por que cabe a eu zelar pelo bem estar dos outros enquanto vejo a grande maioria não fazer o mesmo por mim.
Pois bem, decidi ser mais eu. Rude como sou, ignorante como sou, explosivo como sou. E parar de pisar em ovos com as pessoas e pensar mais no que quero para mim mesmo. Afinal na natureza em si há duas categorias de seres: presas e predadores, e definitivamente eu não sou uma presa. Tenho muitas qualidades, mas também muitos defeitos e quem quiser gostar de mim que goste de mim por completo. Sempre levei isso em conta com todos os meus amigos e relações. Pois, nem todo lobo é só mau, e nem todo cordeiro é só bom.

domingo, 27 de maio de 2012

Na Medida


A medida certa para a vida. Tendemos a viver no extremo de tudo. Seja quanto à alimentação, prática esportiva, crenças, estudos, trabalho e por aí vai. A busca pela perfeição que é colocada em nossa cabeça desde a infância nos leva a viver de modo tão extremo tudo o que fazemos que nos perdemos e deixamos de fazer o que realmente importa: viver.
Minha mãe vivia dizendo que café faz mal (e pra me fazer parar de beber tanto café dizia que café nos deixava “burros”). Em contrapartida, fazia-me beber litros de suco de laranja dizendo que era importante por ter Vitamina C. Mas o fato é que a cafeína, na dose certa, é benéfica. Por exemplo, ela aumenta nossa capacidade sináptica ajudando a melhorar nossa capacidade compreensão e rendimento nas tarefas (diferente do que a minha mãe dizia, ajuda-nos a ficar inteligentes). Já a vitamina C em excesso atinge diretamente nosso sistema cardiovascular, aumentando o risco de infarto e derrame.
Há mais... Exercício físico na medida certa evita uma série de doenças, mas seu excesso provoca desgaste corporal, estresse e desequilíbrio hormonal. Nossas crenças nos dão uma orientação na vida, ajuda-nos a criar uma identidade própria. Mas o excesso nos leva ao isolamento social, à depressão e à perda de identidade. Isso sem falar nos atentados diversos feitos por pessoas fundamentalistas. Estudar, trabalhar é importantíssimo. Constrói-nos como seres humanos e faz-nos sentir úteis, elevando nossa autoestima. Porém, viver só para isso retira totalmente nossas energias e gosto real pela vida, gerando problemas como depressão, estresse e insociabilidade. Colaborando, assim, para o fracasso.
Portanto, precisamos sempre buscar o meio. A perfeição de tudo se faz com a dose certa da diversos componentes. A água não é só oxigênio ou hidrogênio, mas sim um pouco de cada. O nosso corpo e todo universo funciona à base de uma equação composta de vários termos e variáveis, o que nos leva a repensar sempre as nossas medidas. Pois nossa dificuldade parece estar em entender que a perfeição está na aparente imperfeição.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Well... wel... well...

Mais uma vez estou eu aqui, acordado de madrugada a andar pela casa e finalmente rendido, começo a escrever para simplesmente tentar esvaziar a minha cabeça. Não sofro de insônia, ao contrário, uma das coisas que eu mais gosto é justamente dormir; mas o fato é que a madrugada, para mim, é o melhor período do dia. Não há nada melhor do que experimentar a quietude do universo, o silêncio das ruas e ter as estrelas por companhia. Poder olhar as luzes das cidades, observar o movimento dos poucos que andam esse horário por aí, ouvir rádio no volume mínimo, mas que ainda assim parece ensurdecedor agora. Além disso, são meus pensamentos que me roubam o sono. É de madrugada que todos eles afloram. Vêm de todos os lados, sobre todos os aspectos e simplesmente me causam uma inquietude que eu seria capaz de virar a noite apenas pensando sobre o mundo.  Sobre o meu mundo, o mundo dos outros e o mundo no qual estou inserido e não posso fugir dele.
Se bem que nos últimos dias tenho tido muitos motivos para estar inquieto. Minha mente tem girado em busca de resposta para o que a todos é óbvio, mas que para mim simplesmente não é. O que é totalmente compreensível, uma vez que eu não sou todo mundo. Uma vez que me enxergo completamente diferente de todo mundo. O fato é que ‘escolha’ é a palavra de ordem neste momento. O que escolhi há 10 segundos não é mais o que eu quero agora. Ou é, não sei. Simplesmente não sei. Alguns dizem que isso é confusão, mas oras, eu não sou o mesmo de 10 segundos atrás, o mundo não é o mesmo. Então porque raios eu não posso simplesmente mudar de opinião? Afinal, não é fácil fazer escolhas que mudarão completamente o seu futuro. A arriscar, transformar, encarar medos... Na teoria é tudo muito fácil e bonito, mas na prática, meu caro, só nós mesmos sabemos o que é.
Daí, fico eu aqui. Deitado com meu notebook sobre o colo a escrever. Sem saber o destino do texto, sem saber se o publicarei ou não. Esperando que como num passe de mágica surja a ideia avassaladora, que será a solução de tudo; mas ela não vem. Caracas, como é complicado. Escrevo, apago, leio, paro, penso, releio, faço uma pausa, desligo o rádio, ouço o silêncio, escrevo novamente, mas ainda não é isso o que eu quero escrever. É justamente assim a vida. É justamente assim que tem sido esses meus vinte e poucos anos. As pessoas têm a cara de pau de dizer que essa é a primavera da vida. Que são os melhores anos da vida de qualquer ser que passa sobre essa Terra. Como se nesta fase tudo o que fazemos é beber, dançar, ganhar dinheiro e sexo. Olha, se a regra é essa, parem o jogo porque alguém está me roubando!
Tudo para mim tem sido tão incerto. Agora é hora de ver no que vai dar o futuro. Não há como fantasiar como foi na infância, tão pouco especular como na adolescência. É hora de apostar com segurança. Ok! ainda posso cometer alguns erros, mas não posso vacilar e me demorar para fazer minhas apostas. É aquela máxima de fim de ano: o futuro já começou. E é isso que atormenta. Meu, toda a minha experiência vem da minha adolescência e infância. Como usá-la? Chamando meus amigos para formar um Megazord? Pedindo ajuda a minha tia-avó feiticeira ou ao mestre Splinter? Não, isso não dá!
Agora é hora em que eu simplesmente tenho que ponderar sonhos e realidade e tentar chegar a conclusões que simplesmente me causam medo de errar completamente, pois eu posso me arrepender para o resto da minha vida. Até porque, é agora, na “primavera da vida”, que as nossas escolhas são efetuadas em períodos mais longos e cujos resultados surtirão quando, talvez, já não haja mais tanto tempo hábil para se contornar ou retomá-los desde o começo.
Como escolher então? O que fazer, então? Será que é realmente complicado ou sou eu quem está complicando? Não sei. Mais uma coisa que eu simplesmente não sei.