terça-feira, 15 de novembro de 2011

Aos Meus Amigos

Amigos. Muitas são as definições, textos, declarações e toda forma possível de expressão sobre o eles. Isso talvez porque todos já tiveram (ou sentiram falta de) um. Comigo não foi diferente. Nunca tive muitos amigos, mas os que eu tenho são de muito valor e eu posso dizer que amo a todos. Por isso aprendi que há uma imensa distância entre ter um colega e ter um amigo.
É fácil gostar de alguém que você todos os dias, difícil é gostar quando há quilômetros de distância ou então anos entre os dois. É difícil confiar até naqueles que cresceram junto com você, mas no amigo depositamos uma confiança como a que temos em nós mesmos. Assim, o amigo é aquele que, para nós, deixa de ser só mais um na multidão e passa a ser uma forma de nós mesmo e, por isso, nunca nos deixa ficar sozinho em meio a ela. O amigo tem - não sabemos por qual razão - a capacidade de nos completar. Se não nos completa simplesmente nos acrescenta. Mas a verdade é: Não há como ter amigo e continuar a ser o que se era antes.
Meus amigos são meus amigos porque me querem como sou e eu os quero como eles são. Assim, como na Teoria de Darwin, há uma seleção natural, não é preciso se adaptar. Como acontece essa seleção eu não faço ideia, mas tudo o que sei é que fui agraciado com os mais belos amigos que poderia haver. Os amigos são os irmãos que a vida nos permite escolher. Eles têm defeitos, cometem erros, se machucam, me machucam e estão longe de serem super-heróis. Mas o que dizer? São meus amigos.
Sou feliz por saber que eles existem, mas a possibilidade de perdê-los me causa uma angústia como a de perder a que me deu a luz. Sinto muito por não tê-los por perto sempre, mas é muito bom saber que quando nos vemos é como se nunca tivéssemos nos mantido longe. A única razão para isso não acontecer é simples: o fato de nunca nos separarmos. Não são bons momentos passados que nos unem, mas é a força de um sentimento tão forte quanto o amor. Sentimento este exclusivo aos amigos. Afinal, com quem mais é possível fazer a equação da vida? Multiplicando alegrias, dividindo tristezas, somando esperanças e subtraindo frustrações sem nada barganhar?
Gostaria de aprender a dizer a todos os meus amigos o quanto eles são importantes para mim e o quanto eu gostaria que ficassem mais comigo, mas sinto por não saber fazê-lo. Muitas das vezes quando eu tento meto os pés pelas mãos e acho que eles não entendem. Mas o que mais quero é abraça-los mais, beijá-los mais, fazê-los mais de mim e poder ser mais por eles. Porque, ainda que não saibam, eles são muito pra mim. Obrigado a todos os meus amigos pelo simples fato de em sua existência terem cruzado o meu caminho.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O Analfabeto Político

"O pior analfabeto é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão,
do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio
dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia
a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta,
o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista,
pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo."
Nada é impossível de Mudar
"Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de
hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem
sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente,
de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural
nada deve parecer impossível de mudar."
Privatizado
"Privatizaram sua vida, seu trabalho, sua hora de amar e seu direito de pensar.
É da empresa privada o seu passo em frente,
seu pão e seu salário. E agora não contente querem
privatizar o conhecimento, a sabedoria,
o pensamento, que só à humanidade pertence."


Bertolt Brecht


- A luta é contra a privatização do Pensamento. Diferente do que querem fazer acreditar, não se resume a PM dentro ou PM fora do campus.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Não é a maconha a questão, mas sim o direito público. Precisamos acordar!

Não há mais como ficar rodando em torno do mesmo assunto enquanto a realidade é outra e pede ação imediata de todos. Os acontecimentos na USP têm tomado muito espaço na mídia, impressionado a sociedade, movimentado a comunidade USP, mas o foco está perdido, justamente num momento em que deveria ser pontual e claro. Esse fato evidencia que um plano muito bem elaborado está sendo cumprido e todos (comunidade acadêmica, principalmente alunos, e sociedade) estão caindo como presas fáceis. Isso porque grande maioria não sabe o que acontece dentro da gestão USP e os que sabem envolvem ideologias-políticas que, agora, não são e nem devem entrar na questão. É hora de todos os PAULISTAS e BRASILEIROS (separo unicamente por ser uma universidade paulista) envolverem-se, pois, sim, o que acontece hoje na USP diz respeito e atinge diretamente a todos.
Preocupa-me ver tanta acusação da sociedade que, iludida por uma imprensa tendenciosa, não sabe o que acontece dentro da maior universidade brasileira. Universidade essa que tem por propósito formar mentes que pensem, cidadãos críticos, intelectuais, agentes modificadores da sociedade. Cidadãos capazes de formarem mais mentes que pensem, e não simplesmente mão-de-obra qualificada. Que almeja expandir o número de cidadãos capazes de reivindicar os seus direitos, que não temem ao governo, mas que elegem e tornam-se um governo para o povo.  Sei que agora virá muitas críticas relembrando aos atos violentos e todo o espetáculo esdruxulo do dia 27 de outubro, mas esqueçamos disso por enquanto, pois, como disse inicialmente, o foco é outro. Todo o objetivo da Universidade de São Paulo é formar cidadãos brasileiros melhores. Não superiores, mas cidadãos capazes de alavancar o Estado e a Nação.
Por isso a universidade é pública, pois todos têm direito à educação de qualidade. No entanto, infelizmente a quantidade de vagas não é suficiente. Mas vejamos que no decorrer da história que esse número foi aumentando, que as oportunidades para o ingresso de alunos da rede pública (que sabemos, sofrem uma defasagem no ensino brutal) fosse possível e justa. Por isso, toda e qualquer questão da Universidade de São Paulo está ligada à sociedade. Não só porque esta paga impostos e uma mínima parcela deste é voltada para o ensino; até porque a USP é hoje praticamente autossuficiente financeiramente, graças ao seu alto número de pesquisa, promoção e, destaque nacional e internacional. Mas sim porque esta Universidade, assim como todas as demais públicas (em especial), investe no aprimoramento e desenvolvimento dos que darão rumo ao nosso país. E não simplesmente forma médicos, professores, advogados, engenheiros ou gestores. Com isso, o direito ao ingresso, o aumento do número de vagas e a expansão da universidade devem ser garantidos. Porém, é justamente o inverso que está acontecendo e a população não sabe disso, tão pouco é informada. Pior ainda, muitos alunos ainda desconhecem isso.
O que está por de baixo dos panos, que tem sido razão de um plano muito bem articulado pelo governo paulista, é a privatização da Universidade de São Paulo. O que isso significa? Privatizar a USP é torna-la mais do que nunca uma universidade da elite. Que não mais haverá a oportunidade de TODOS OS CIDADÃOS BRASILEIROS terem uma formação de qualidade. Significa sufocar a racionalidade dos alunos, produzindo não pensadores, críticos, mas meros profissionais executores de tarefas. Formar máquinas num sistema fabril, profissionais subordinados e uma sociedade débil. Dessa maneira, busca-se também sucatear a educação. Acreditem, o que está ruim pode piorar e muito. Pesquisas, desenvolvimento de programas e métodos, não mais servirão para a sociedade, mas, sim, serão vendidas às empresas privadas. Deixando, com isso, de ser um bem de todo povo para virar mercadoria a ser vendida aos que do povo possam pagar por ela.
Certamente dirão: “Felipe, você está completamente alienado”. Pois eu afirmo antes de tudo, não estou ligado a nenhum partido político (ao contrário procuro manter distância), tão pouco imaginando coisas ou com a ilusão de perseguição política. Pergunte a qualquer professor da USP, a qualquer funcionário e eles te dirão todas as mudanças que têm acontecido, como a universidade caminha para esse fim (a privatização) e como Estado e Reitoria estão ligados neste caso. O problema é a sociedade não se dá conta disso, que alunos não se dão. E, os que dão estão de tão ligados a partições políticas que manifestam ideologias, em minha opinião, um tanto utópicas (mas válidas). E a sociedade num todo, por não viver e ser posta tão distante do centro acadêmico, não toma ciência de tais eventos nem de suas consequências.
Qual o interesse do governo nisso tudo? Primeiro, ganhar dinheiro. Faturar alto. Afinal, pra que investir em educação? Pior ainda em cursos não rentáveis. Como Ciências Sociais, Geografia, Obstetrícia (que seria fechado esse ano, não fosse a mobilização estudantil contra o fechamento do curso). Para eles (Governo/Reitor) não importa o curso formar um cidadão competente em todas as suas faculdades, mas sim um gerador de lucro. Tão pouco interessa formar cidadãos questionadores, que sejam capazes de ir de encontro a seus planos. Assim, dificultando a formação real da sociedade, é muito mais fácil manipulá-la, coagi-la, domina-la, ditar a ordem.  (Não! Não sou partidário da esquerda. Sou um aluno, que tem tido essa formação que eles querem evitar que tenhamos. Que teve seus olhos abertos pela razão e consegue enxergar dia a dia que entrar na universidade não significa decorar uma série de conteúdos pra ganhar um diploma no final. Mas, sim, ter uma mente universal para fazer a diferença nas comunidades das quais sou membro.) Oras, que governo não quer ter o poder total?
Provas de que o que eu tenho dito é verdade? Fácil. A começar pela eleição do atual reitor: João Grandino Rodas. Houve uma seleção, houve uma votação, ele ficou em segundo lugar, mas o governador do estado (José Serra) decidiu colocar ele na reitoria. Detalhe: esta é a segunda vez que isso acontece na história da USP. Sabe quando foi a primeira? Durante a ditadura. Toda a comunidade USP (funcionários, professores e alunos) se revoltou contra isso. A democracia simplesmente foi atropelada, mas não foram ouvidos.
Pois bem, o que aconteceu durante a gestão Rodas. Primeiro passo: Separar Docentes (professores) e funcionários. Como? Ambos têm seu sindicato, que sempre estiveram juntos. Agora, cada um em um canto. Foi dificultada a comunicação entre eles. E mais, durante a época de aumento salarial, apenas os docentes receberam; finalidade: criar oposição entre os dois.
Mas as ações não param aí. Houve, ainda, às reformas estruturais. Todos os prédios administrativos da universidade foram afastados do campus. Ou seja, a reitoria fica em um lugar da cidade, a administração em outra mais longe, o financeiro mais longe ainda e tudo mais. Porque assim, não haveria manifestação alguma que paralisasse a universidade, impedindo, com isso, que a comunidade USPiana reúna-se e reivindique qualquer coisa (o que é um direito constitucional).
Da mesma forma, a educação. A começar pela mudança na ECA (Escola de Comunicação e Artes) que terá um novo prédio, onde os cursos serão segmentados em pavilhões dificultando a interação de alunos de todos os cursos. Também, e é impossível não citar, a FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humas) que vive à margem da USP. O prédio da faculdade literalmente está caindo aos pedaços. O curso de Letras foi transferido temporariamente para o prédio atual há mais de vinte anos. Dentre todas as melhorias feitas na USP nenhuma delas passa por aquela faculdade. Mas, ainda assim, é onde, segundo pesquisa internacional, se encontram 9 dos melhores cursos do mundo, sendo que 13 deles estão na USP. Ou seja, uma faculdade que representa tão bem a universidade não deveria ser tão esquecida. Mas é preciso lembrar que essas duas faculdades citadas, em especial a FFLCH, são as principais responsáveis pela construção do pensamento e ideia. Têm por essência a formação de pensadores e são essas que não temem represálias. Além do que são as primeiras a se manifestarem contra qualquer ato não democrático, opressivo e outros do gênero. Além disso, não são cursos tradicionais que trazem dinheiro como economia, engenharia e medicina. Então, fica fácil entender porque excluir esses cursos é benéfico no cumprimento de um plano para a erradicação do pensamento.
 Assim também, é evidente como a presença da polícia no campus veio a calhar. Se pesquisarem verão, que por questão histórica e legal (não me refiro à Ditadura) a PM não deve interferir no desenvolver da comunidade acadêmica. Deve apenas agir para investigação de casos, como o lastimável acontecido com o aluno da FEA. Há uma razão para isso. O objetivo é que por ser um centro de construção acadêmica, de pensamento e ideia o Estado não deve intervir justamente para não manipular isso a seu favor. Esse mesmo modele é usado em vários outros países como Inglaterra, França, EUA; e faz parte do regimento da USP desde a sua fundação.  Pois dessa maneira é assegurado ao povo que pense livre das ações do governo, que forme sua opinião. Mas o que tenho visto é que esse direito está em jogo e nós estamos de braços cruzados.
Toda a agitação em torno do evento após o dia 27, foi ideal para a tacada de mestre do governo e da gestão Rodas (que acho que está claro que trabalham juntos). Levando a imprensa a focarem nos lamentáveis atos violentos de alguns alunos que, como eu disse, acabam por misturar ideologias-políticas onde não cabem no momento, e com isso denigrem a imagem de todos os alunos e da faculdade dos quais fazem parte. Que, por consequência, perdem a credibilidade perante a sociedade. E nós que tentamos falar sobre os abusos aos direitos da sociedade, aqui já citados, somos totalmente ignorados. Pior ainda é ver a polarização dentro da comunidade USP, a falta de conhecimento da sociedade sobre os ocorridos e a universidade (um bem de todos) sendo tomada de nós às claras, sem fazermos nada.
Por fim poderão dizer: "Como pode 'simples' ações de restruturação ter tamanho efeito?" É fácil, afinal, uma das melhores formas de tirar algo povo sem que este note é colocando este em conflito consigo mesmo. Noto que, o plano (que fora meticulosamente tramado) está dando certo. Há total discordância entre comunidade USP e sociedade (que vêm sendo postas de lados contrários propositalmente, através da criação de uma imagem negativa de uma para a outra). E que os articuladores de tudo isso, riem, ganham e já calculam o quanto faturarão num futuro não muito distante. Por isso, é de extrema importância que acordemos para os fatos. Que os alunos alinhem seus pensamentos e passemos a falar a mesma língua, deixando de lado questões políticas secundaristas. Que discutamos e ajamos além dos gritos “PM SIM! ou PM NÃO!”. Que toda a comunidade USP (alunos, professores e funcionários) atuem em conjunto, que toda a sociedade tome ciência do que se passa aqui dentro de verdade (e que não somos playboys maconheiros e baderneiros); já que nessa história todos nós sairemos perdendo e muito. Afinal, a universidade e o conhecimento são um direito de todos e não de uma minoria (como tem sido ultimamente). Mas se quisermos que isso seja fato concreto temos que nos unir. Pois não é utopia, mas o nosso presente.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Brincando de Mr. M (O que de fato está rolando na USP)

Minha proposta com este blog é, ainda que ninguém leia, poder escrever o que penso e tornar pública a minha opinião. Afinal, acho que nenhum membro de uma comunidade deve ser passivo e omisso ao ponto de não se fazer ouvir. Nisso, demorei muito tempo pensando sobre o que seria o meu primeiro post. Pois bem, com os fatos que têm acontecido nas comunidades das quais eu faço parte: acadêmica (USP-Butantã) e social, eu não posso, como disse antes, me omitir.
Diante do cenário formado nas últimas semanas posso dizer: O circo está armado. No picadeiro há muita palhaçada, malabarismo, mas a atração principal é um grande número de ilusionismo. Sim, a plateia pensa ver uma coisa, mas na verdade tudo é bem diferente. A plateia (sociedade) tem se deixado levar pelo que o grande mágico (imprensa/mídia) tem mostrado. Daí, temos distorcidas as razões que levaram ao tumulto que acontece hoje na Universidade de São Paulo. Então, agora, quero dar uma de Mr. M e revelar o que está por trás do que tem acontecido. Mas não só isso, quero me posicionar diante dos fatos.
Para toda a comunidade externa à USP tudo começou com a prisão dos estudantes na FFLCH por estarem fumando maconha. Então, os “comparsas” - não querendo que seus fornecedores fossem detidos - se manifestaram contra. E como eles protestaram? Quebrando tudo! Mas as coisas não pararam aí. Ao perceberem (os estudantes) que não mais poderiam usar drogas, porque a ordem estava estabelecida no campus, graças ao projeto de segurança implantado no campus num convênio entre a reitoria e a PM, eles decidiram protestar. Afinal, onde mais os playboyzinhos, filhinhos de papai, poderiam curtir sua brisa livremente? Eh, nossa sociedade investindo tanto em educação, pra que no final esses alunos não estudem, mas se afundem nas drogas e alimentem o tráfico. De fato esse mundo está perdido.
Legal né? Mas sinto dizer: “HÁ! Pegadinha do Mallandro.”. Pois bem, vamos passo a passo mostrar como as coisas funcionam. A guarda universitária é extremamente precária. Já consegui entrar no campus após a meia noite sem precisar apresentar a carteirinha e sem estar usando qualquer coisa me identificasse como aluno. Ou seja, morar aqui dentro não é sinal de segurança! (Calma, mãe! Eu estou bem.). Daí, foi preciso a morte de um aluno em um assalto para que a reitoria acordasse para o fato de que não estamos 100% seguros. Mas antes desse lamentável fato, furtos, roubos e até sequestros relâmpagos aconteciam dentro do campus. Então vem a solução: Vamos colocar a PM na rua! (já ouvi algo parecido em algum lugar...). A polícia chegou e, a questão é: Resolveu? Infelizmente não. Incidentes graves voltaram a acontecer, mas que não vieram à tona. Os furtos permaneceram, roubos e tudo mais.
“Então, quer dizer que nesses primeiros 50 dias da PM no campus nada mudou?” Não, relaxa! Eles vieram nos ensinar muita coisa. Aprendemos que livros são armas poderosíssimas. Afinal, se não fossem, que outra razão levaria um policial a parar pra revistar um aluno que acaba de sair da biblioteca, na porta da mesma? Ou ainda, revistar alunos que descansam após a aula na Praça do Relógio? Descobrimos também como são os potenciais criminosos. Avaliemos os perfis: Negro, se veste de maneira “alternativa”, expõe pensamento políticos contrários ao governo ou, então, está caminhando pela USP ao invés de estar trancado numa sala estudando. Ah... com certeza esses perfis são de criminosos. Se estiverem todos reunidos numa pessoa só, então... Ela deve ser detida imediatamente. Sim, de fato, o campus está muito mais seguro depois desse convênio. Os alunos, então, nunca se sentiram tão bem.
Assim, meus caros, diante dessas situações em que os alunos não mais podiam transitar tranquilamente dentro do campus, viam suas ideias começando a serem oprimidas, a potencial situação de coação à expressão livre de pensamento que, pelo menos dentro da universidade ainda nos é possível, ameaçada; entre tantas outras situação que encaminham à repressão, os alunos revoltavam-se. Mas até então, nenhuma ação enérgica havia sido tomada. Então, o ocorrido no prédio da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) acabou sendo o estopim da situação. Podem dizer: “mas os alunos estavam usando maconha!” Sim, é verdade! Mas isso sempre aconteceu em todo o campus (mesmo com a presença da PM) e nada havia sido feito por eles. E mais, não é algo limitado à USP, mas a maioria das universidades – quem já passou por uma sabe que isso é verdade -. No entanto, o que considero como o agravante nessa história é que no dia do ocorrido os policiais passaram o dia inteiro revistando aos alunos como que em busca de uma prisão para aquele dia.
A soma de todos esses fatores é o que motivou o alvoroço inicial. Mas, foi aí que o problema maior começou. No calor das emoções, ambos os lados (polícia e alunos) perderam completamente a razão. Os policiais, por terem a oportunidade de ali simplesmente notificarem os estudantes (que foram pegos) e por um ponto final em tudo sem grande complicação, e os estudantes todos, que a principio se reuniram pra ver evitar um ato violento, mas que no final partiram pra violência. Depois disso, todas as manifestações estudantis pró a saída da PM do campus, nada tinha a ver com a proibição do consumo de maconha no campus, mas sim contra a repressão, imposição e ineficácia de segurança que ela estabelece no todo. Porém, em momento algum, a mídia expos tais razões. Ao contrário voltou o olhar de toda a sociedade, para as ações insanas de uma minoria de USPianos.
Além disso, as sucessões de fatos mais violentos como a invasão de prédios da universidade aconteceram, colaborando com a perda do foco nas reais reinvindicações dos alunos. Dessa maneira, a sociedade cria uma imagem deturpada do que buscamos aqui dentro, que é a real liberdade que a constituição nos garante, mas que os órgãos censores coíbem. Por outro lado, nada justifica qualquer ato violento por qualquer uma das partes. A cidade universitária trata-se de um centro acadêmico, dessa forma, dentro dos modelos tradicionais, somos levados a resolver as situações por meio do senso e da razão. Enquanto a violência é resultado da falta dessas duas qualidades. Ou seja, os que estão aqui dentro têm essa capacidade e os que entram para fazer a nossa segurança também precisam ter. Por isso, apoio e participo das manifestações contra a presença da PM no campus definitivamente. Está provado que esta não é a solução. Mas também me nego participar desses atos violentos, que resultam na depredação do patrimônio publico, ferem a integridade das pessoas e vão à contra mão da lei. Da mesma maneira que acho insensata muitas das ações dos policiais aqui dentro como por exemplo a que fizeram para tomar o prédio da Reitoria. Quase às cinco da manhã, jogaram bombas de Gás no CRUSP para impedir que nós moradores descêssemos, veio com helicópteros e a cavalaria, além da tropa de choque. De verdade, tudo isso era mesmo necessário?  
O fato é que, medidas precisam ser tomadas. Não podemos continuar à mercê de uma polícia que não sabe agir se não pela violência, tão pouco ter uma guarda universitária precária e correndo o risco contínuo de sermos vítimas de crimes. Há tempos nós alunos temos proposto o treinamento de uma guarda que saiba realmente dar segurança, atendendo às reais necessidades da comunidade USP. A melhoria com questões como jardinagem e iluminação do campus, já que à noite aqui mais parece cenário do filme “As Bruxas de Blair”, entre outras. Mas é preciso também, enquanto medidas realmente viáveis não acontecem, que a sociedade possa conhecer as duas faces da moeda (e é isso que eu tento fazer aqui) e que os alunos ganhem mais voz. Que os que representam a opinião da maioria possam ser ouvidos. E que, por fim, a imagem de ‘CarandirUSP’ criada em meio a esse espetáculo seja quebrada e que a de maior centro acadêmico do Brasil seja reconstruída.